sem lenço, sem documento, sem pastor

Sem lenço, sem documento, sem pastor,
ai, como a coisa vai ficando alienada
e há tanto perigo na beira da estrada
da vida que tem pressa em viver,
que fazer?

Sem lenço, sem documento, sem pastor,
a vida da gente vai se transformando no que for,
ausência, saudade, distância
do riso, do belo e da flor,
por isso eu preciso voltar
para o primeiro amor.

Quando Deus era bem mais que uma palavra,
coração atravessava a madrugada
e ajudar, oferecer a nossa mão era um prazer,
ser cristão rimava com partir o pão.

Mas o deus-ciência, tecnologia,
o Mamon nos seduzindo noite e dia.
Um milhão de coisas mais,
mais formação, viva o prazer!,
vão levando até o que não podia nos perder.

Sem lenço, sem documento, sem pastor,
me vejo pródigo, iludido e enganado.
Ai, como a gente vai ficando cansado
de acreditar que a lei é o que se vê,
vê na tevê…

Sem lenço, sem documento, sem pastor,
a vida da gente vai se acostumando com a dor
e esquece no início os sonhos
e perde o vício e o vigor,
por isso eu preciso voltar
para o primeiro, para o primeiro,
para o primeiro amor.

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