no levantar de questões

Em nossos dias, uma fé simples, infantil, é muito rara; mas a coisa mais comum é não crer em nada e questionar tudo. Dúvidas são tão comuns quanto jabuticabas em temporada, e todas as mãos e lábios estão cheias delas. A mim me parece muito estranho que os homens devam caçar dificuldades para sua própria salvação. Se eu estivesse condenado à morte, e tivesse uma chance de misericórdia, estou certo de que não ficaria procurando razões para que eu não fosse perdoado. Eu deixaria este trabalho para os meus inimigos: meu olhar estaria numa direção bem diferente. Se eu estivesse me afogando, eu iria pegar qualquer coisa que aparecesse, ao invés de lançar o salva-vidas para longe de mim. Raciocinar contra a própria vida é algum tipo de suicídio construtivo  (quantas vezes já não me matei, afinal) do qual somente um homem bêbado poderia ser culpado. Argumentar contra sua própria esperança é como um homem tolo sentado num tronco, e cortando-o de forma que ele mesmo caia. Quem a não ser um idiota faria isso? Ainda assim muitos parecem ser os promotores da própria ruína. Eles buscam na Bíblia textos ameaçadores; e quando estão fartos disso, eles se voltam à razão, e filosofia, e ceticismo, a fim de fechar a porta em suas próprias caras. Certamente é um péssimo trabalho para um homem sensível. Muitos hoje não conseguem ficar sem pensar em religião, são capazes de repelir a pressão inconveniente da consci~encia ao fazer piada das grandes verdades da revelação. Grandes mistérios estão no Livro de Deus por necessidade; pois como pode o Deus inifinito falar de forma que todos os Seus pensamentos possam ser percebidos pelo homem finito? Mas está à altura do tolo ficar discutindo estas coisas profundas, e deixas às clarasas salvadoras verdades em pendência. 

Lembram dois filósofos que debatiam sobre comida, e deixaram a mesa sem tocar em nada. Enquanto que o homem do campo não fez nenhuma questão, mas usou sua faca e seu garfo com grande diligência, e se regozijou. Muitos estão hoje felizes no Senhor por receberem o evangelho como pequenas crianças. Enquanto que outros, que sempre conseguem ver dificuldades, ou inventá-las, estão tão longe de qualuqer esperança confortável de salvação. Eu conheço muitas pessoas decentes que se resolveram nunca vir a Cristo até que entendam como a doutrina da eleição pode ser coerente com os convites livres do evangelho. Eu talvez resolva tambem nunca comer um pedaço de pão novamente até que fique claro como Deus me mantém vivo, e ainda assim eu tenha de comer para viver. O fato é que, a maioria de nós SABE o suficiente, e a real necessidade nossa não é a luz na mente, mas a verdade no coração;  não ajuda para as dificuldades, mas graça para que odiemos o pecado e busquemos reconciliação.

  • Esplendorosamente maravilhoso. Amei este trecho do livro do Spurgeon que acabei de ler hoje: Diante da Porta Estreita. Páginas 52 e 53. Se você teve paciência de ler até aqui, espero que tenha edificado sua vida. Saudações.

Ah, uma última observação Spurgeoneana: “Deus não zombou de nós mandando uma salvação que não podemos entender” – Toma Carol, com açúcar…

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